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Carreira

Como fazer um bom currículo em Portugal: estrutura, exemplos e erros a evitar

Como fazer um bom currículo em Portugal: estrutura, Europass vs. CV moderno, exemplos, filtros ATS, o que não precisas de incluir e erros comuns.

Rita

Rita

· 8 min de leituraAtualizado a 2 nov. 20268 min

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Um recrutador passa poucos segundos no teu currículo antes de decidir se continua a ler. Nesse tempo tem de perceber três coisas: quem és, o que sabes fazer e porque é que encaixas naquela vaga. Se para isso tiver de andar à procura entre quatro páginas, tabelas de competências com bolinhas e a morada completa, passa ao seguinte.

Um modelo de Word bem arrumado chega, desde que a estrutura seja clara, os exemplos tenham números e adaptes o CV a cada anúncio. Abaixo explicamos como fazer um currículo em Portugal passo a passo, quando usar o Europass, o que não precisas (nem deves) incluir, como passar nos filtros automáticos e quais são os erros que mais candidaturas deitam abaixo.

Leitura em 30 segundos

  • Uma a duas páginas chegam. Experiência mais recente primeiro.
  • Em cada função, escreve resultados e não só tarefas: “reduzi o tempo de resposta de 48 para 24 horas” vale mais do que “atendimento ao cliente”.
  • Adapta o currículo a cada vaga, usando as palavras do anúncio.
  • O Europass é aceite em toda a Europa, mas um CV simples e bem organizado costuma destacar-se mais no setor privado.
  • Não tens de indicar estado civil, filhos, número do Cartão de Cidadão nem NIF. Por lei, o empregador não pode exigir-te informação sobre a vida privada, a saúde ou a gravidez, salvo exceções justificadas por escrito.
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Que estrutura deve ter um currículo?

Há variações consoante a área, mas esta ordem funciona para a maioria das candidaturas em Portugal:

  • Nome e contactos. Nome, telemóvel, e-mail profissional (nada de “princesa_92”), cidade e link do LinkedIn, se o tiveres atualizado. A morada completa não é necessária.
  • Resumo profissional. Duas ou três linhas sobre o que fazes, há quanto tempo e o que procuras. É a parte que mais deves adaptar a cada vaga.
  • Experiência profissional. Da mais recente para a mais antiga. Para cada função: cargo, empresa, cidade, datas (mês e ano) e três a cinco pontos com responsabilidades e resultados.
  • Formação. Curso, instituição e ano de conclusão. Se já tens experiência, a formação vai depois; se estás a começar, vem antes.
  • Competências. Ferramentas, programas e competências técnicas que a vaga pede. Evita listas genéricas como “proativa, dinâmica, trabalho em equipa”: mostra isso nos exemplos da experiência.
  • Línguas. Com nível concreto. Podes usar a escala europeia (A1 a C2) ou descrever em palavras: “inglês fluente, uso diário em reuniões com clientes”.
  • Outros (opcional). Voluntariado, projetos, certificações, carta de condução se for relevante para a função.
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Exemplo: tarefas vs. resultados

Em vez de…Escreve…
Responsável pelas redes sociaisGeri o Instagram e o LinkedIn da marca e aumentei os seguidores de 3 mil para 11 mil em 18 meses
Atendimento ao clienteRespondi a cerca de 60 pedidos por dia e reduzi o tempo médio de resposta de 48 para 24 horas
Organização de eventosOrganizei 12 eventos para 50 a 300 pessoas, dentro do orçamento definido
Apoio administrativoCriei um ficheiro de controlo de faturas que acabou com os pagamentos em atraso a fornecedores
Exemplos ilustrativos. Usa os teus números reais; se não os tiveres, descreve o impacto em palavras.

Se tens dificuldade em reconhecer o que já conquistaste, faz uma lista antes de abrires o documento: projetos de que te orgulhas, problemas que resolveste, elogios que recebeste. É o mesmo exercício que te ajuda quando chega a altura de pedir um aumento.

Europass ou currículo moderno: qual escolher?

O CV Europass é o modelo da União Europeia. É gratuito, permite criar e guardar currículos em 31 línguas a partir de um perfil único e é bem conhecido por empregadores e instituições de ensino. O problema é que muita gente o usa, e com o modelo antigo de tabelas e grelhas de competências fica longo e todos os currículos parecem iguais.

EuropassCurrículo próprio (moderno)
Quando faz sentidoFunção pública, candidaturas na UE, bolsas, Erasmus, quando o anúncio o pedeEmpresas privadas, startups, áreas criativas, a maioria dos anúncios
VantagensGratuito, formato reconhecido, fácil de traduzirMais curto, mais fácil de adaptar, destaca-te mais
CuidadosCorta secções vazias e as grelhas de autoavaliação que não acrescentam nadaDesign simples: uma coluna, letra legível, sem gráficos de “nível de competência”

Na dúvida: se o anúncio pede Europass, usa Europass. Se não diz nada, um currículo próprio, limpo e bem escrito costuma funcionar melhor.

Como passar nos filtros automáticos (ATS)?

Muitas empresas e plataformas de recrutamento usam software de gestão de candidaturas (ATS, na sigla em inglês) que lê o currículo e o compara com o anúncio antes de uma pessoa o ver. Não há regras oficiais, porque cada sistema funciona de forma diferente, mas estas práticas reduzem o risco de o teu CV ficar pelo caminho:

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  • Envia em PDF, exceto se o anúncio pedir Word, e garante que o texto é selecionável (não exportes como imagem).
  • Usa títulos de secção comuns: “Experiência profissional”, “Formação”, “Competências”.
  • Evita tabelas complexas, colunas múltiplas, caixas de texto e informação importante no cabeçalho ou rodapé.
  • Repete as palavras-chave do anúncio, se forem verdade para ti: o nome exato do cargo, das ferramentas e das certificações.
  • Dá ao ficheiro um nome claro: “CV_Ana_Silva_Marketing.pdf”.

O que não precisas de pôr no currículo

Em Portugal ainda se veem currículos com estado civil, número de filhos, data de nascimento, número do Cartão de Cidadão e NIF. Nada disso é necessário para te candidatares. O artigo 17.º do Código do Trabalho diz que o empregador não pode exigir a candidatas a emprego informações sobre a vida privada, a saúde ou o estado de gravidez, salvo quando sejam estritamente necessárias para a função e a razão seja dada por escrito. A violação é contraordenação muito grave.

  • Fotografia: é opcional. O próprio Europass sugere uma foto adequada, e em algumas áreas (atendimento, comercial) é comum. Se puseres, que seja recente, com fundo neutro e só a tua cara.
  • Data de nascimento e idade: não são obrigatórias.
  • Salário pretendido: só se o anúncio pedir. Deixa essa conversa para a entrevista.
  • Referências: não precisas de escrever “referências disponíveis mediante pedido”. Prepara-as à parte.

Erros comuns que deitam abaixo uma candidatura

  • Erros ortográficos e de concordância. Lê em voz alta e pede a outra pessoa para rever.
  • Enviar o mesmo currículo para todas as vagas.
  • Descrições vagas, só com tarefas e sem resultados.
  • Buracos no percurso sem explicação. Uma pausa para cuidar de filhos, estudar ou por doença não é um problema; um vazio sem contexto levanta dúvidas. Uma linha chega.
  • Mais de duas páginas para um percurso de menos de dez anos.
  • Informação desatualizada: telemóvel antigo, e-mail que já não usas, LinkedIn diferente do CV.
  • Exagerar ou inventar. Tudo o que está no currículo pode ser perguntado na entrevista.

E a carta de apresentação?

Se o anúncio pedir, envia sempre. Mesmo que não peça, um e-mail curto com três parágrafos (porque te candidatas, o que trazes e disponibilidade para conversar) faz diferença. Não repitas o currículo: escolhe um ou dois exemplos que mostrem que percebeste o que a empresa precisa.

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Se estás a pensar em mudar de área ou de empresa, o nosso guia rápido para mudar de emprego ajuda-te a organizar a procura, e as 7 dicas para uma mudança de carreira ajudam-te a perceber como apresentar experiência de outra área. Ainda estás na dúvida se é altura de sair? Lê devo despedir-me ou não. E quando a proposta chegar, confirma os teus direitos enquanto trabalhadora.

Para trabalhar o currículo com calma, o Planner de Carreira do Hey Miga tem uma secção dedicada ao CV, com exercícios para identificares as tuas conquistas.

Uma dica que poupa muito stress: guarda num sítio só (uma nota no telemóvel, uma pasta no Drive ou o planner) os projetos em que trabalhaste, o que fizeste em cada um e o resultado. Quando aparecer a vaga certa com um prazo curto, já tens tudo à mão para atualizar o CV e o LinkedIn em meia hora. E atualizar o currículo não quer dizer que estás infeliz no trabalho. Quer só dizer que estás preparada.

Planner A Minha Carreira
Planner A Minha Carreira, Hey Miga
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Perguntas frequentes sobre como fazer um currículo

Quantas páginas deve ter um currículo?

Uma página se estás no início da carreira, até duas se tens vários anos de experiência. Mais do que isso só em áreas académicas ou científicas.

É obrigatório usar o modelo Europass em Portugal?

Não. O Europass é um modelo reconhecido e gratuito, mas não é obrigatório. Usa-o quando o anúncio o pede (é frequente em concursos públicos e candidaturas europeias). No resto, um currículo próprio bem estruturado é igualmente válido.

Devo pôr fotografia no currículo?

É opcional. Se puseres, escolhe uma foto profissional, recente e simples. Se não puseres, nenhum recrutador sério te vai excluir por isso.

Como faço um currículo sem experiência?

Dá destaque à formação, a estágios, a trabalhos de verão, a voluntariado e a projetos da faculdade ou pessoais. O que conta é mostrar o que já fizeste e o que aprendeste. Se procuras primeiro emprego ou estágios, vale a pena consultar também as ofertas e programas do IEFP.

Tenho de pôr o NIF ou o número do Cartão de Cidadão?

Não. Esses dados só são precisos quando fores contratada. Não os incluas no currículo, até porque o vais enviar a várias empresas e não sabes por quantas mãos passa.

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Rita

Rita

A Rita escreve sobre finanças pessoais, carreira e produtividade no Hey Miga. Formada em Gestão e co-fundadora do projeto, interessa-se especialmente por temas como poupança, organização financeira e decisões sobre dinheiro no contexto português. Ao longo dos últimos anos, tem acompanhado e aplicado estratégias de gestão financeira adaptadas à realidade do dia a dia, com o objetivo de tornar as finanças mais simples e acessíveis.

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